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Angústia
A filosofia deixou-se beijar no flerte com a morte
Sopram novos ares e, como tudo que sopra, empurra o velho, mesmo que tido como consagrado. E daí, fica a dor da perda, fica a angústia com o novo, porque incerto, e a saudade do velho, porque habitual: sobra vigiar a verdade.
[humilde homenagem a Balthazar Barbosa Filho (1942-2007)]
Escrito por Johannes às 19h18
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Na busca do eterno retorno
'Sorte de hoje: Seu grande sonho é constituir família' (www.orkut.com)
O orkut sempre nos brinda com o melhor que temos como respostas para nossas angústias: ler isto já é uma angústia. Na vida, assim como na filosofia, é preciso paciência, a paciência do conceito, a experiência da solidão que se faz tempo: tempo de angústia, tempo de solidão, tempo de euforia, tempo de paixão.
Frente a isto, podemos viver como se o amanhã estivesse dado?
Viver assim é a negação do hoje, é a busca pela irrepetibilidade do tempo, a tentativa de romper com o mito de que existe uma verdade para além da própria vida: o eterno medo da circularidade, o eterno medo do retorno.
As palavras se fazem no tempo; a vida também: o retorno é inevitável.
Escrito por Johannes às 11h36
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Estamos pelo Consolo
A religiosidade de nossos tempos é o consolo – mas qual religião não é consolo? Além disso, quem sabe o pensamento religioso, esse do consolo, não tenha invadido as nossas vidas, de tal maneira que tudo passa a ser consolo – a conversa com os amigos, a busca de um amor, a busca de um sonho, isto é, o querer algo para além da sua própria vida: o conforto de um colo onde se possa chorar a cada vez que nos sentimos culpados por um erro... Não seria suficiente abandonar o sentimento de culpa? Do que que somos culpados?... A religião, um sonho e um amor, quando servem apenas de muleta para nós, é mero consolo... não seria melhor abandonar as muletas e andar a rastejar? Deitar-se ao chão e olhar para o céu, e ver o quanto é belo voar...
Escrito por Guilherme às 15h19
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A razão do mundo não está nas palavras...
"Mas quando eu estava para subir, tendo já me despedido dela mais uma vez, convidei-a para ir comigo até a esquina da Tverskaia. Lá, ela desceu e, quando o trenó já estava começando a andar novamente, puxei de novo sua mão para os meus lábios, no meio da rua. Ficou lá durante muito tempo, acenando. Acenei de volta, do trenó. Primeiro, pareceu-me que ela olhava para trás enquanto andava, depois não a vi mais. Com a enorme mala no colo, chorando pelas ruas já sob a luz do crepúsculo, continuei até a estação ferroviária". (Walter Benjamin)
Com a leitura desse pequeno fragmento inicio o meu dia... A dor do gênio é viver em um mundo que não o comporta, que exige uma posição sempre acrítica e, portanto, falsamente estranha. Quando olho os diversos livros que exigem de mim leitura, eu sinto muito medo, pois todos eles me prometem um mundo além do qual eu vivo, de palavras rebuscadas ou jogos de razão, mas nenhuma vida, nenhum sentido - letras frias que nada revelam além delas mesmas... Nesse momento, em que penso a minha vida, em que penso os vários Walter Benjamins que transitam em mim, soluciono o problema do silêncio com "The fool on the hill" dos Beatles - na música eu fujo do mundo que não me comporta e do meu corpo que não me suporta. A razão do mundo não está nas palavras que vivem empoeiradas nas prateleiras da vida, muito menos nas lágrimas que jamais foram derramadas por mim. O gênio talvez seja conciso no olhar, que ao desviar do alvo, já o tem por inteiro... Talvez não chore as suas decepções, pois elas são tão presentes, que chorar é sorrir, e viver é estranhar-se a todo instante; assim, o gênio nasce póstumo, ele está todos os dias de partida, com pesadas malas caminhando direto para alguma estação do seu tempo ou da sua vida... Assim sendo, esse é mais um dos meus dias.
(20 de Dezembro 1978)
Escrito por Guilherme às 21h44
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A Carne Nada Vale
Fico em casa pensando nas diversas pessoas que estão como eu, achando que, enfim, a Carne Nada Vale... A televisão cheia de "folias" canções para cantar, amores para amar, etc. Não sei bem ao certo, mas sempre tive medo de folias e instintos de destruição coletiva - beber entre amigos até vomitar e cair como um saco de merda, no entanto, parece que isso é real, é fato, é diversão... Estou cada vez mais convicto que a carne nada vale... Mas se eu estiver equivocado, quantos mais estarão? A carne realmente nada vale quando não se há uma vida para viver, quando o passado é presente e o futuro não é nada, felicidade é entregar-se a alguma coisa - contanto que não seja a um pensamento ou uma reflexão sobre a própria vida. O sol que esquenta a nossa alma, diz que algo vale, além da carne estão os nosso sonhos, as nossas buscas, a carne nada vale? Realmente, os próximos passos não são os mais seguros, a vida se encaminha para o triunfo final - o que esperar de uma sociedade que encara a barbárie com naturalidade, que encara a indiferença como a melhor maneira de viver uma vida tranquila, talvez um ideal burguês de felicidade... Nessas bandas, me transformo em um asceta, tenho certeza que a carne nada vale, há algo muito além dos nossos sentidos e das nossas razões... Viva o Carnaval!
Escrito por Guilherme às 18h21
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Força sempre
para todos os covardes que fogem do combate quando tem seus companheiros de luta abatidos pelos violentos tiros do destino
Os homens escrevem suas histórias, e mentem. De fato, a mentira enquanto tal é constitutiva do conhecimento, do ser humano. E os filósofos sabem disso. Com suas mentiras requitadas, palavras rebuscadas e uma lógica rabiscada, constroem verdadeiros sistemas da mentira.
Assim, nessa sopa de letrinhas filosófica, constituem-se verdadeiros mitos, assim como aquele que busca a verdade acima de tudo e de todos. A lição cristã nos mostra isso, e nos mostra com culpa.
Para aqueles que se perdem, resta o mote 'força sempre', mentiroso porque nele mesmo contém a fraqueza daquele que desiste e a piedade daquele que persiste. Porém, verdadeiro porque a redenção se dá pela força, sempre. Força que revela a mentira, ao mesmo tempo em que a destrói: essa é a nossa provocação.
Força sempre
Escrito por Johannes às 22h42
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Das palavras que jamais voltam
"Vocês não ouvem os assustadores gritos ao nosso redor que habitualmente chamamos de silêncio?".¹
Não recebi a carta dela! O que posso fazer de pior senão apenas imaginar que não gostou das palavras ditas por mim? As pessoas geralmente nos cobram palavras sinceras, mas quando as recebem, já não estão dispostas a ouví-las; minha sinceridade são palavras tão frias, quem se importa com aquele que prefere a solidão do que a companhia daqueles que fingem que ouvem?... A caneta borrou o papel várias vezes, pois a minha mão tremia, tomada por um silêncio de palavras que ecoam pelo meu corpo e que nunca conseguem fazerem-se ditas. Sou um homem um tanto estranho, que se refugia na música, no exato local onde as melodias não combinam com as minhas angústias, e a canção, por esse medo de entrega ao tempo, a vida, se torna mero passa-tempo, passa-vida... Há seres que precisam de remédios, eu não, preciso dessas palavras não ditas, desse estremecer do meu estômago e dessa espera de não sei o que... palavras que com toda a certeza jamais voltarão.
¹ Prólogo do Filme "O Enigma de Kaspar Hauser" de Herzog, 1974.
(Guilherme Niemand - 23 de Dezembro de 1977)
Escrito por Marcos Goulart às 20h28
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Um Estranho Contato com Walter Benjamin
"Mas quando eu estava para subir, tendo já me despedido dela mais uma vez, convidei-a para ir comigo até a esquina da Tverskaia. Lá, ela desceu e, quando o trenó já estava começando a andar novamente, puxei de novo sua mão para os meus lábios, no meio da rua. Ficou lá durante muito tempo, acenando. Acenei de volta, do trenó. Primeiro, pareceu-me que ela olhava para trás enquanto andava, depois não a vi mais. Com a enorme mala no colo, chorando pelas ruas já sob a luz do crepúsculo, continuei até a estação ferroviária"¹.
Com a leitura desse pequeno fragmento, inicio o meu dia... a dor do gênio é viver em um mundo que não o comporta, que exige uma posição sempre acrítica, e portanto, falsa. Quando olho os diversos livros que exigem de mim a leitura, eu sinto medo, pois todos eles me prometem um mundo além do qual eu vivo, de palavras rebuscadas ou jogos de razão, mas nem uma com vida - letras frias que nada revelam além delas mesmas... Nesse momento, em que penso a minha vida, em que penso os vários Walter Benjamins que transitam em mim, soluciono o problema do silêncio com Golden Slumbers dos Beatles - na música eu fujo do mundo que não me comporta e do meu corpo que não me suporta. A razão do mundo não está nas palavras que vivem empoeiradas nas prateleiras da vida, muito menos nas lágrimas que jamais foram derramadas. O gênio talvez seja conciso no olhar, que ao desviar do alvo, já o tem por inteiro... Talvez não chore as suas decepções, pois elas são tão presentes que chorar é sorrir, e portanto, estranhar-se. Assim o gênio, nasce póstumo, ele está todos os dias de partida, com pesadas malas caminhando direto para uma estação, chamada ele mesmo... assim sendo, esse é mais um dos meus dias...
¹ Walter Benjamin in: Diário de Moscou.
(Guilherme Niemand - 20 de Dezembro 1977)
Escrito por Guilherme às 22h56
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CARTAS DESESPERADAS III
Lugar Nenhum, data desconhecida.
Hoje é mais um dia. Dia como outro qualquer, diferente porque vou falar dele como se fosse especial. Se alguém vier a ler isto, por favor, não encare como algo sério: a única coisa séria é sua forma. O resto é balbucio de um homem sem qualidades.
De fato, talvez esta seja a essência representativa dos homens contemporâneos: tanto a ausência de qualidades quanto à experimentação do nada. Alguns, cansados de se enganarem, tentam sentir o nada... A estes, a impossibilidade dessa experiência, a imaginação falsa dela, fica por conta própria.
A mim, o que me toca são dias passados em frente à televisão ou internet. Se quiser algo diferente, fico bêbado, sozinho ou com companhia, tanto faz: aquela massa que é atravessada por tudo, como uma esponja, e nada nela se fixa, àquela é a minha imagem. A experiência com o mundo é falsa a priori: as horas passam e nem sei se estou acordado ou dormindo. Quando durmo, sonho falsamente, quando acordado, vivo a mentira.
Durante certo tempo tentei fugir disto. Admiti que a não identidade minha com o mundo poderia levar a experimentação da liberdade. Enganado por eu mesmo: o conceito de liberdade não pode ser vivido. Criado pelo Renascimento, assim como o conceito de arte, o conceito de história tal como o conhecemos hoje, todas estas idéias das quais mediamos o mundo. A realidade não possui mais estatuto ontológico.
Embora, até mesmo aqui, a única vida que vale a pena ser vivida é a falsa. A busca pela verdade leva a obscuridade da mente, a um distanciamento tal que, viver a mentira é mais digno pela estetização que esta proporciona. O falso é mais aconchegante porque tudo permite, tudo passa, tudo vale. É como um balaio, balaio pós-moderno.
Hoje fui comprar cigarros. Vendo-me a todos vícios, bancados com dinheiro fácil. Não trabalho nem estudo, mal como e muito durmo. A rima é parnasiana, a matéria é contemporânea. Então, retornando, hoje fui comprar cigarros. Sair na rua é ver as pessoas que não se aturam, ver a banalidade tomando conta dos mínimos gestos. A mãe culpa a criança por esta roubar a vida daquela. O marido culpa a mulher por esta representar toda a verdade que não se consegue mais experimentar. O irmão culpa a irmã pela ausência de afeto que todos supõe que deveriam ter. Eu culpo a mim mesmo por pensar este tipo de besteira.
Lembro-me quando estudava e pensava em identidade. 1 = 1. De fato, a igualdade mostra a identidade em sua formulação plena: as propriedades participam de todos os lados. Jovens são impelidos a romperem com o princípio identitário do mundo: eles querem construir um outro mundo. Porém, o erro, sempre o erro, é acreditar que o não identitário, pela sua raiz racional, não vá construir um mundo ‘a sua imagem e semelhança’. Até Deus, perfeito, onipresente, onipotente, onisciente errou nisso: o pai de toda razão pensante, de todo logos construiu um mundo a sua imagem e semelhança... Que merda, hem?
São dezenove e trinta. Desisti de fumar. Não agüento mais essa mentira toda para mim e para o mundo. Meu sonho, comprado, e bem pago, cansa. Me volto para meu sono falso. A vida falsa me constitui.
Assim, a desgraça daquele que pensa está no próprio pensar. A improdutividade lógica não permite que a mente fuja do mundo objetivo. É ele quem dá as normas. Procuro por rabiscos, folhas de papel. Cai meu cinzeiro, sujando meus livros e papéis que se perdem pelo quarto. Merda (!), eu penso. Que grande merda, viver trancado em uma mente que não será mais que medíocre, meramente medíocre. Que grande merda, ser um personagem de alguém em um dia cinza. Que grande merda minha existência ter final agora.
Espero que alguém leia isto logo: minha existência infeliz precisa tomar mais uma vítima.
Escrito por Johannes às 19h42
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Como anda a vida no jardim? , me pergunto dia após dia, olhando fixamente mais uma das fotos encontradas a esmo pela internet. Ler gibis, navegar na internet e ver filmes pornôs são passatempos prediletos. E no jardim, a perversão grotesca toma palco: o hermafrodita pós moderno.
Dizem que escritores buscam descrever o mundo com palavras rebuscadas: o falso triunfo da simplicidade frente aos relativismos contemporâneos. O exercício de descrição difícil, hoje, banalidade. Procure um blog e encontre banalidades. Procure um fotolog e encontre banalidades. Olhe-se no espelho e encontre banalidades. O que não é banal?
A procura pelo que não é dito, porque somente pensado, continua.
Na internet as coisas formam-se com incrível velocidade. O beat acelerado corresponde à experiência com o tempo. Morte ao lento, porque fraco, porque culpado de si pela preguiça que é e que representa para os outros.
Quem não é hedonista hoje?
Frente ao sexo falso, prefiro filmes pornôs: a visualidade permite o prazer voyerístico em máxima voltagem. (http://yurifirmeza.zip.net/index.html)
Frente ao determinado, só a razão afasta os males.
Escrito por Johannes às 15h51
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SUMIÇO
(Quem não gosta de se enganar?)
O sumiço de K. provocou grande dúvida em Guilherme e em Johannes.
Depois de muito procurarem por ele, muitas vezes esquecendo-se que tinham, na verdade, perdido um pouco deles mesmos, cansaram. Viveram, ou melhor, dizem que vivem, cada um a seu modo, com suas angústias guardadas em gavetas ou páginas de livros que, vez por outra, não cessam por aparecer.
O sumiço de K. provocou grande dúvida em Guilherme e em Johannes.
Como pode ser possível a mente de um homem sucumbir sobre ela mesma? A resposta, que não se quer admitir, ou se prefere esconder, não pode ser proferida por boca alguma. Hoje, K. vive em lugar-nenhum, em companhia de si mesmo e de um mundo virtual construído para fluir as comunicações humanas.
O sumiço de K. provocou grande desespero em Guilherme e em Johannes.
Quando se viram sozinhos, como que desamparados, perguntaram o que estavam fazendo ali, tomados por uma espécie de consciência súbita.... como quando alguém se acorda de um sonho, meio ruim, mas que deixa saudades.
O sumiço de K. provocou grande angústia em Johannes.
Já passaram-se meses e as respostas não surgem. O que fazer?
[Johannes senta-se e espera K.]
Escrito por Johannes às 01h46
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Desconhecidos
Ficar trancafiado sobre si mesmo pode trazer conseqüências
irreversíveis para um sujeito nos dias de hoje. A socialização faz-se necessária
em qualquer nível: aquele que não se dá a esse tipo de relação, fica fadado ao
fracasso....
Outra moeda corrente é o conhecimento. Conhecer o mundo é fundamental
para tecer relações. Aquele que se dispõe a travar um diálogo sem reconhecer os
pormenores do mundo mostra falta de autonomia além de sofrer da pena (mascarada
no ‘olhar compreensivo’): eu te submeto porque és mais fraco e, eu te deixo
viver.
O realismo, as teses filosóficas acerca da realidade, tomaram forma
tal que a própria verdade passou a ser autoritária. Abusa do mundo o conhecedor,
ou melhor, aquele que o sistema premia paulatinamente com o nome de conhecedor:
aqueles sujeitos que fazem o dever de casa e mostram que viver o viver ainda
pode ser conjugado.
Só a angústia
salva?
Escrito por Johannes às 01h30
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Retratos
O retrato do tédio é a despedida de si mesmo.
O retrato do ódio é marca da auto-mutilação.
O retrato da mentira: eu.
Desculpas retratam o que a mente gostaria de esquecer.
Escrito por Johannes às 11h31
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GUILHERME CONTRA SI MESMO: UM SALTO NO ABISMO
Dentre as várias pessoas que sou, prevalece um amor por aquela que se sente mais perdida em mim, pretendendo-se reconhecer em meio a imensidão do meu vago ser; mesmo assim, a pretensão dessa pessoa de desbravar esse imenso universo parece uma missão impossível, pois quanto mais ela se conhece, mais ela sabe o quanto eu sou desconhecido.
Ao som de "Rocky Raccoon" dos Beatles
Escrito por Guilherme às 16h56
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ONTOLOGIA DE UMA ANGÚSTIA CONTEMPORÂNEA
Noto o quanto tudo corre, todos passam desesperados por mim, não sei se estou parado ou correndo também... Minha ansiedade quer respostas sem perguntas. O mundo corre e eu estou parado, o mundo acorda e eu estou dormindo, estou passando... Preciso de mãos que me segurem, lábios que me beijem, preciso me sentir útil, ser amado ou até ser odiado... ser notado. Provar que eu existo! A vida transcorre em um marasmo sem fim. ninguém viu... o mundo me atropela.
Ao Som de "Doctor My Eyes" do Jackson Five
Escrito por Guilherme às 17h09
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JOHANNES CONTRA SI MESMO
Por trás daqueles que dedicam suas vidas a dialogarem com o mundo, afim de compreende-lo, existe um receio, quase que patológico, de não incutir em erro. Desde Platão, que acreditava que o método dialético pudesse purgar o ser do não-ser, ou seja, alcançar a verdade através do logos, a filosofia encontra-se escrava desta patologia (Acerca do que não se pode falar, deve-se calar). Radicalizada a própria razão sofreu quando esta busca mostrou-se mais difícil, ou até mesmo impossível, do que antes. Em especial, desde que mostrou-se possível a humanidade estar vivendo uma vida falsa, a vida tornou-se um tanto quanto... ‘fraturada’.
Afinal, como fugir de uma falsidade, dada a priori para o ser, se mesmo no sentimento mais íntimo, mais privado, mais subjetivo, ele é falso em si mesmo? E como a existência, agora falsa em si mesma, poderia libertar o homem, faze-lo transcender rumo a sua redenção enquanto ser?
A vida, enquanto tal, cada vez se mostra mais miserável: as coisas encontram-se todas elas prestes a desmoronarem. Ao menor sopro, meu mundo desaba. Para alguns, o refúgio é o fracasso. Para outros, a crença patológica de que algo melhor está por vir... enfim, se cada louco com sua loucura, que pelo menos admitamos a angústia, ou seja, aquela disposição afetiva da qual se revela ao homem o nada absoluto sobre o qual se configura a existência (Heidegger)... O problema está em admitir este nada, e ver que toda experiência é, em si mesma, falsa.
Escrito por Johannes às 23h28
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GUILHERME CONTRA SI MESMO
Ele mal pode expressar o que se passa na sua cabeça... Cenas de filmes, músicas, bebidas, mulheres, telefones que não tocam, etc e tal. Há sempre uma angústia, há sempre algo que jamais pode ser alcançado, pois se fosse a vida em nada teria graça – de que vivem os poetas? Em sua mente as palavras de um mestre alemão “Trabalho, tormento, desgosto e miséria, tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, com que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo?”. Além do mais “Um coração que se encheu como um aterro... um trabalho que te mata lentamente, feridas que não cicatrizam. Você aparenta estar tão cansado-infeliz. Derrube o governo, eles não, eles não falam por nós. Eu vou levar uma vida tranqüila...”. São tantas palavras que transitam por dentro de sua pobre alma... Ainda ontem, ao ver um extintor de incêndio explodir, viu naquilo uma sinfonia da lembrança e tomou para si os seus conflitos... Viu todo um projeto se destruir em dois minutos e ao som de uma canção, sentiu lágrimas resfriarem o seu rosto, viu-se tão só como nunca antes havia visto. Pegou alguns livros na estante – aquele seu Zaratustra de outrora já não lhe fere tanto, aquele “recompensa mal um mestre aquele que se contenta em ser discípulo” é tão frio, tão “ideal”. Quis correr para longe de tudo, serviu uma dose do bálsamo que anestesia todo o seu viver... O mundo gira e as canções se repetem, os beijos são tantos e sempre o mesmo, a alegria é trago ou tragada, e a poesia é aquela vazia, dita em vão, que expressa apenas... Nada. Gritos e mais gritos, palavras para consigo mesmo, paredes frias que fazem tudo ecoar... Vê em si um peso, uma filosofia vã e barata que nada diz, apenas impressiona ouvidos singelos... A sua mão, os seus olhos, a sua alma... Tudo queima! Cinco jovens dançam após 12 anos... O que fazer em caso de incêndio? Deixe queimar!
P.S: Livres citações de Schopenhauer, Radiohead e Nietzsche.
Ao som de “No Surprises” do Radiohead
Escrito por Guilherme às 03h12
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