Tributo
pago ao romantismo
BEETHOVEN
(1770-1827). SYMPHONY No. 3 IN E-FLAT MAJOR, OP. 55 'EROICA'. I. Allegro con
Brio
'-
Oh!, ver-te e para deixar-te ainda uma vez! E não pensaste, Giorgia, que lhe
fora melhor ter morrido devorado pelos cães na rua deserta, onde me levantaram
cheio de sangue? Que fora-te melhor assassinar-me no dormir do ébrio, do que
apontar-me a estrela errante da ventura e apagar-me a do céu? Não pensaste que,
após cinco anos, cinco anos de febres e insônias, de esperar e desesperar, de
vida por ti, de saudades e agonia, fora o inferno ver-te para deixar-te? - Compaixão,
Arnold! É preciso que esse adeus seja longo como a vida (...)' [Noite na taverna
VII - Último beijo de Amor]
'INSUPORTÁVEL.
O sentimento de um acúmulo de sofrimentos amorosos explode neste grito: 'Isso
não pode continuar'. 3. Quando passa a exaltação, fico reduzido à mais simples
filosofia: a da resistência (dimensão natural dos verdadeiros coansaços). Suporto
sem me acomodar, persisto sem me endurecer: sempre perturbado, nunca desencorajado'
[Fragmentos de um discurso amoroso]
Na
paráfrase necessária o plágio ainda não se completou: a absorção da cultura
ainda não é plena. Sou falso porque múltiplo, transitório; serei verdadeiro
porque uno, estático: isso vale, mas até quando? (Descartes) A apropriação coletiva
do discurso amoroso inscreve-se desta maneira. Falar do amor é falar do ser
que une e desune, daquele que é inominável e partícipe, uno e múltiplo: não
se fala DE UM amor, mas DO amor. Sua força constelar impede restrições, sejam
conceituais, sejam universais: sua rebeldia é imanente a palavra: é algo que
sinto mas não sei descrever, quero vomitar em você pois meu corpo só, solitário,
não sustenta tamanho peso, preciso, necessito, falo. Invocá-lo é invocar a multidão,
proferi-lo é me inscrever nela.
Categoria: Cultura
Escrito por Johannes às 18h20
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SOLIDÃO E
LIBERDADE
Temos
um senso de liberdade tão poderoso que qualquer compromisso passa a gerar um
conflito na gente. É como se a nossa liberdade fosse constantemente atacada,
violentada por tudo que é externo. Em um impulso damos uma volta sobre tudo e
caímos em um precipício individual tão vazio, onde não temos para quem gritar -
uma profunda solidão. É nessa solidão e no silêncio que nos vemos tão impotentes
perante as nossas próprias vidas, pois qualquer impulso de liberdade é prisão no
próprio corpo, qualquer impulso de liberdade é jogar-se em um abismo que não se
sabe se tem fim, e é nele que caímos de braços abertos, na crença de que
estamos, com isso, sendo o que realmente deveríamos ser.
(Torch
Yourself - The Gloria Record)
Categoria: Cultura
Escrito por Guilherme às 13h00
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