PERTO DEMAIS!
Consciência
Amor! Amor!
Já não tenho medo de te perder
Tenho medo, muito medo.
De me perder em ti.
Carlucci Cavalcanti (13o. Poemas no ônibus, Porto Alegre, 2005.)
Um dos princípios que rege o gosto estético é o da identidade entre a obra e o espectador, entre o sujeito e o objeto. Estes, identificados por traços subjetivos – do sujeito – e objetivos – do objeto – conectam-se principalmente por aquilo que se convencionou o nome cultura.
O que dizer de Carlucci?
Dias atrás, em um jornal de circulação estadual, noticiou-se o lançamento de uma peça nos Estados Unidos cujo título – bastante singular – é: Don’t follow me, I’m lost too. Assim como o medo de Carlucci, compartilhado por todos nós em maior ou menor grau, esta frase carrega algo tão íntimo que em conjunto com o tema geral de Closer (EUA, 2004), aprofunda o tema central do filme: a coisificação do outro (reificação).
Aquilo que de grotesco existe nas prateleiras dos supermercados é levado para a vida prática: padronização e escolha. Embora em todo produto contenha a mentira da diferença frente aos demais – escondida por trás da marca – ainda sim esta diferença carrega uma dose de verdade: a atribuição de propriedades distingue um objeto de outro. Frente ao outro, a única verdade que ainda se encontra é em face do desespero: este resguarda o que existe de espontâneo no pensamento humano.
Daí o peso de I need a fix `cause I’m going down (Beatles) e voltamos a Carlucci: da consciência reificada, só resta o medo de que eu, perdido em mim mesmo, receba o outro, e este se perca em mim.
Perder-se, aqui, é angústia. E esta, verdadeira porque traz a experiência do nada, só mostra que a reificação é verdadeira e o desespero, patologicamente falso (neurótico) pela psicologia.
Categoria: Cultura
Escrito por Johannes às 12h44
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CARNAVAL
O carnaval é um período anual de festas profanas, originadas na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma. Constituía-se de festejos populares provenientes de ritos e costumes pagãos e se caracterizava pela liberdade de expressão e movimento. É a maior festa popular do Brasil.
História e etimologia
O carnaval tem raízes históricas que remontam às bacanais e a festejos similares em Roma; alguns historiadores mais ousados chegam mesmo a relacionar o carnaval a celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris , no Egipto antigo.
Em Roma havia uma festa, a Saturnália,em que um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. Essa festa foi incorporada pela Igreja Católica, e segundo alguns a origem da palavra carnaval é carrum navalis (carro naval). Essa etmologia, entretanto, já foi contestada. Atualmente a mais aceita é a que liga a palavra "carnaval" à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, uma espécie de último momento de alegria e festejos profanos antes do período triste da quaresma.
Em 1091 a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica ; como consequência indireta disso, o período de Carnaval se estabeleceu na sociedade ocidental, sofrendo, entretanto, certa a oposição da Igreja, na Europa. Embora alguns papas tenham permitido o festejo, outros o combateram vivamente, como Inocêncio II.
À seqüência do Renascimento o Carnaval adotou o baile de máscaras, e também as fantasias e carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual, que se preserva especialmente em regiões da França .
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval
Ode às vidas mal vividas, às carnes mal sentidas, e a esperança... ah!, como seria maravilhosa toda segunda se todas quartas fossem cinzas, - seriam realmente cinzas como o é a quarta? São cinzas a quarta? É cinza os dias? - os que virão depois d'aquela Quão esplêndida a quinta que se sorve em arrepios, em sonhos de sonos mal dormidos, mal vividos, sidos apenas na sexta? Lamentar pela quinta que passou, pela quarta que virá, pela nona jamais escutada? Sorvo o momento, dum doce venenoso legitimo enquanto dói-me! Usurpador da métrica mal medida, da moça mal amada, do espaço não pleiteado? Deleito-me em um misto angústia e esperança "Carne Val" é que vens!
(Sugestão 1: Imaginem o Fester e o seu Madruga num abre alas da Mangueira. (Sugestão 2: "Wege zur Philosophie. II - Dialetiktik der Aufklärung. Theodor W. Adorno und Max Horkheimer. Band 5".) (Sugestão 3: Cerveja fiada na sexta de madrugada,véspera)
Escrito por K. às 01h27
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JOHANNES CONTRA SI MESMO
Por trás daqueles que dedicam suas vidas a dialogarem com o mundo, afim de compreende-lo, existe um receio, quase que patológico, de não incutir em erro. Desde Platão, que acreditava que o método dialético pudesse purgar o ser do não-ser, ou seja, alcançar a verdade através do logos, a filosofia encontra-se escrava desta patologia (Acerca do que não se pode falar, deve-se calar). Radicalizada a própria razão sofreu quando esta busca mostrou-se mais difícil, ou até mesmo impossível, do que antes. Em especial, desde que mostrou-se possível a humanidade estar vivendo uma vida falsa, a vida tornou-se um tanto quanto... ‘fraturada’.
Afinal, como fugir de uma falsidade, dada a priori para o ser, se mesmo no sentimento mais íntimo, mais privado, mais subjetivo, ele é falso em si mesmo? E como a existência, agora falsa em si mesma, poderia libertar o homem, faze-lo transcender rumo a sua redenção enquanto ser?
A vida, enquanto tal, cada vez se mostra mais miserável: as coisas encontram-se todas elas prestes a desmoronarem. Ao menor sopro, meu mundo desaba. Para alguns, o refúgio é o fracasso. Para outros, a crença patológica de que algo melhor está por vir... enfim, se cada louco com sua loucura, que pelo menos admitamos a angústia, ou seja, aquela disposição afetiva da qual se revela ao homem o nada absoluto sobre o qual se configura a existência (Heidegger)... O problema está em admitir este nada, e ver que toda experiência é, em si mesma, falsa.
Categoria: Angústia
Escrito por Johannes às 23h28
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O IDEAL DO POETA
A melhor poesia é aquela jamais escrita: Que vaga pela alma do poeta como uma folha De eucalipto que voa em um fim de tarde de outono...
O poeta tem para consigo um dia que nunca chega; Um amor que jamais é aquele, Ou um beijo que jamais existiu. O poeta canta as suas lágrimas E chora por suas alegrias: Elas jamais viram poesia!
Na alma do poeta há sempre um ideal: A próxima poesia... O próximo passo no escuro, O próximo salto no abismo.
O poeta tem sempre a sua teoria: Todas as suas angústias, Jamais as suas alegrias.
Ao som de "Martha My Dear" Dos Beatles
Categoria: Poesia
Escrito por Guilherme às 01h19
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GUILHERME CONTRA SI MESMO
Ele mal pode expressar o que se passa na sua cabeça... Cenas de filmes, músicas, bebidas, mulheres, telefones que não tocam, etc e tal. Há sempre uma angústia, há sempre algo que jamais pode ser alcançado, pois se fosse a vida em nada teria graça – de que vivem os poetas? Em sua mente as palavras de um mestre alemão “Trabalho, tormento, desgosto e miséria, tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, com que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo?”. Além do mais “Um coração que se encheu como um aterro... um trabalho que te mata lentamente, feridas que não cicatrizam. Você aparenta estar tão cansado-infeliz. Derrube o governo, eles não, eles não falam por nós. Eu vou levar uma vida tranqüila...”. São tantas palavras que transitam por dentro de sua pobre alma... Ainda ontem, ao ver um extintor de incêndio explodir, viu naquilo uma sinfonia da lembrança e tomou para si os seus conflitos... Viu todo um projeto se destruir em dois minutos e ao som de uma canção, sentiu lágrimas resfriarem o seu rosto, viu-se tão só como nunca antes havia visto. Pegou alguns livros na estante – aquele seu Zaratustra de outrora já não lhe fere tanto, aquele “recompensa mal um mestre aquele que se contenta em ser discípulo” é tão frio, tão “ideal”. Quis correr para longe de tudo, serviu uma dose do bálsamo que anestesia todo o seu viver... O mundo gira e as canções se repetem, os beijos são tantos e sempre o mesmo, a alegria é trago ou tragada, e a poesia é aquela vazia, dita em vão, que expressa apenas... Nada. Gritos e mais gritos, palavras para consigo mesmo, paredes frias que fazem tudo ecoar... Vê em si um peso, uma filosofia vã e barata que nada diz, apenas impressiona ouvidos singelos... A sua mão, os seus olhos, a sua alma... Tudo queima! Cinco jovens dançam após 12 anos... O que fazer em caso de incêndio? Deixe queimar!
P.S: Livres citações de Schopenhauer, Radiohead e Nietzsche.
Ao som de “No Surprises” do Radiohead
Categoria: Angústia
Escrito por Guilherme às 03h12
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Um sentimento apenas pode ser sorvido com a intensidade presente em um momento específico? Sinto o amor maior a cada instante, o instante daquele que ama, deixa-o esvair-se em fuga a qualquer protocolo racionalista. No vocábulo de qualquer amante parece mesmo haver pouco desse formalismo verbal. Com o quê se preocupa o amante a nao ser em amar? Explode a cada esquina uma ceborréia verbal que inunda ouvidos em tom insano, e sangra as veias do peito. Já não havia espaço para tanto senimento. Amantes enrustidos - ou somos todos obrigados a engasgarmo-nos em sentimentos?-, afogam-se em sangue alheio. Em sua redoma racionalista reina a aparente indiferença, embora todo coração sangre.
Sinfonia nº3, Ludwig V.Beethoven. "Heróica", 4º Movimento
Escrito por K. às 23h03
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