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Poesia
Cartas Desesperadas
X
Eu sonhava. E, quando sonhava, seu olhar me penetrava. Falava muito, como
sempre, falando, e o olhar, penetrando, descobrindo, atento, sorrateiro,
estático: de dar medo. De sentir-se seguro para falar o que quiser. De falar por
falar... vontade repentina de criar um brusco silêncio: fica a pergunta - para
onde iria este olhar. Se ele permanecesse, assim como o sonho cartesiano de
erigir as bases firmes e inquestionáveis da ciência, se àquele olhar firme, para
longe da verdade universal, (porque verdadeiro em sua contingência), se
continuasse fixo, imutável, questionador, sincero, paciente... sua persistência
seria a verdade de nós, do nós: um eu em mim refletido no outro, pelo olhar
mediado pela fala.
Hegeliano isto, não?
Escrito por Johannes às 16h44
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A melancolia não tem
rosto.
É o vazio
incontemplável.
Dor pura,
enamorada da angústia.
Palpita os
maiores corações: não por amor. Por terror.
O cheiro da
melancolia é amargo.
Meu olhar turvo
se perde.
O desejo da
melancolia, se é que isso existe, está desenhado;
Fundamentado em
um céu sem estrelas, encoberto; assim como minha razão:
encoberta e
confusa.
A música flui no
ritmo da angústia.
Sem direção, nem
movimento.
O corpo
paralisa, sem medo: aterrorizado.
Sem paixão: pura
negatividade. (até o caráter destrutivo perece)
Restam
farrapos.
perdi.
Escrito por Johannes às 15h43
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Polígonia
A Polígonia Urbana é o retrato deste cenário inevitável. Cenário que impressiona, pela diversidade de formas geométricas, que crescem e avançam desordenadamente em todas as direções. Fruto do controle desregrado do progresso global. Parafraseando com teorias infundadas, do fundamento urbanoide, o bate-estacas incansável, tanto quanto a busca humana por algo melhor. Retângulos, esferas, círculos, triângulos, cubos e demais formas. Formas Gigantescas por todos os lados. Quadriláteros e polígonos, sem culpa. Que hora nos orgulham, hora nos amedrontam. Dilemas complexos deste contexto, que fascinam os olhos e ouvidos deste jovem poeta. Nativo dessa realidade contemporânea, que em forma de poesia traduz e transcreve - sua óptica humana – e a denomina Polígonia Urbana.
Uma nova verbete ou um novo significado? O emprego desse termo, em uso prático ou inserido, em alguma publicação é datado de 1963, foi usado como titulo de um livro de poemas. O livro “Polígonia do soneto” do poeta português Ernesto de Melo e Castro, um dos grandes nomes da poesia experimental, na língua portuguesa. “Poligonia” é uma palavra usada também por profissionais de design em três dimensões, havendo maior evidência em jogos, faz referencia as formas geométricas que compõe um objeto ao ser rederizado. Neste estudo neologista, César Silveira insere a palavra acentuada, herdando uma característica, não constante no uso anterior da palavra.
Veja como o poeta define e explica essa verbete: Estou atribuindo aqui um novo significado à palavra. Polígonia é a junção das palavras polígono + agonia. É um grito silencioso destas formas assíncronas e anti-simétricas, com as quais convivemos. E ainda, satisfaz a ambigüidade poética, na forma proposta com o uso do prefixo “poli” – multiplicidade, pluralidade – sugerindo a idéia de múltiplas e diversas agonias, agonias mudas do cenário urbano.
Poesias de César Silveira clique aqui
Escrito por Marcos Goulart às 22h50
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Dias chuvosos.
Ela.
Como seria a chuva batendo no meu rosto?
Céu cinza. Cheiro de peixe. Trocam olhares: um sorriso?
Não rola.
Já é tarde. Sente sono. Trocam carícias. Mais olhares. Sem uma palavra. Sem palavra uma.
Te digo quem sou. Mas quem sou afinal? Não é melhor mentir? Quem já não mentiu?
Um suspiro. Único. Revelador. Paixão? Difícil.
Penso em assunto para falar. Melhor não: qual o problema do silêncio?
Eu sou um chato. Situação constrangedora. Pense em coisas divertidas.
Nada.
Quem sabe uma carícia? Olha lá - - - - - - - - - - > ()
Quem sabe o que é isso? Eu não sei. Mas disse. Sério.
Então... menti.
Obvio demais.
Escrito por Johannes às 23h20
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De nada adiantam flores sem cemitérios.
Vidas secas, desprovidas do substancial.
Fatos vazios, desprovidos de universais.
Casas vazias, desprovidas de pessoas.
Vidas vazias: esgotamento de si.
Amor vazio: me esgoto no outro.
Nada.
Esgotamento absoluto.
Escrito por Johannes às 23h04
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NUDEZ
Nu, meu corpo sob o teu [ou o teu sob o meu]
pesa
(peso material do gostar)
Roupas afastam:
gostar formal, distante pelos costumes.
(te busco nua entre frestas e olhares vigilantes distraídos)
Escrito por Johannes às 10h36
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Como EU te chamo
Amo-te.
Te amo porque te amo,
Causa da falta que inventas em mim.
Falta tal que é negação: negas o que afirmo.
Benjamin estava certo
Sou somente amor,
Infinito.
Te busco quando me negas (minha palavra, meu ser),
minha ancestralidade,
penerene mesmo no meu negar
identidade presente no meu abismo.
Me desconstóis.
Logo, te amo.
Escrito por Johannes às 22h03
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Exposição pública
'' Nunca me levei a sério. Seria uma pena se isso fizesse. Talvez por eu não sei sério... embora alguns me digam o contrário.''
Corpo exposto em transe na hora do gozo. Sangue exposto na hora da briga. Sexo exposto na hora do sexo. Diário exposto na hora da curiosidade. Vida exposta na hora da fofoca. Eu exposto no espelho. Você exposta em mim... Exposições públicas nunca me agradaram.
Escrito por Johannes às 20h19
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Saudade dos que foram sem se despedir.
Desejo saber,
se estou presente ou ausente.
Pois, se em mim estou ausente,
Que ao menos esteja em outro presente.
Escrito por Johannes às 01h20
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A MINHA HISTÓRIA NÃO SERÁ CONTADA
A minha história jamais será contada, Pois ela passará como um vento Que corta os quentes raios de sol, Ou quem sabe como um avião que corta o ar... Ninguém vê o que corta, mas assim ela faz. A minha vida jamais será vivida por alguém, Pois ela se perderá nas cinzas do que vai passar. Ela morrerá comigo e será só minha, Como meus foram os tempos que cortei. A minha história foi vivida, E como alguém que parte, Levo a comigo. É corpo do meu corpo, É suor do meu rosto. Não parto hoje, Talvez nem amanhã. No tempo a história se perde, Ela já foi suficiente para mim. Jamais contem a minha história, Pois eu plenamente a vivi.
(03/03/2005)
Ao som de "Nem por força" do Nei Lisboa
Escrito por Guilherme às 00h05
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BANDEIRA...
“Como aquele que se despede é mais facilmente amado! Porque a chama por aquele que se distancia queima mais pura, alimentada pela fugitiva tira de pano que acena do navio ou da janela do trem. O distanciamento penetra como matéria corante naquele que desaparece e o embebe de suave ardor” (Walter Benjamin – Rua de Mão Única).
Uma paixão de poucos dias é sempre mais avassaladora do que qualquer outra, ainda mais sabendo que o dia da despedida está quase chegando – é como se agarrássemos as nuvens do céu pela primeira vez, sabendo que ela escapará por entre os dedos em um instante qualquer. Os beijos talvez sejam muito mais intensos, pois eles parecem os últimos de sempre. O olhar se perde em um horizonte cada vez mais próximo, como se a nossa vida estivesse lá longe, mas tão perto e dentro de nós mesmos. O outro é sempre roubado de si mesmo, e, portanto, conquistado constantemente – esse é o esforço que se faz para ter para si aquilo que jamais se teve. Cada toque precisa ser mais cuidadoso: como se acariciássemos um diamante de grande valor. A mão não pode estar pesada, deve transcorrer pelo corpo da nova amada com uma suavidade, fazendo com que ela sinta em seu corpo uma brisa suave de uma noite de primavera. O olhar deve ser palavra: eu te quero só por hoje – um convite ao prazer mais intenso: o último. E quando ela estiver preste a soltar a sua mão, olhando para o caminho que irá fazer entre você e o ônibus que a espera, os dias que passaram juntos transcorrerão em sua mente em instantes... Ela o convida para morte, levando consigo a tua vida em mais um beijo de despedida.
“À última que me teve por inteiro...”
Ao Som de “Let Down” do Radiohead.
Escrito por Guilherme às 14h21
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DO ÚLTIMO SUSPIRO POUCO SEI, NEM MESMO UMA RESPOSTA
Como será uma última poesia? E a última pergunta à última poesia? Haverá resposta à ultima pergunta? A última poesia será em si uma afirmação?
Escrito por K. às 19h55
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HUMANO EM 3 ATOS
Ato consciente.
Hoje, decidi largar tudo e ser feliz. Corri desesperado para escrever tudo que imaginava como uma criança no pátio da escola em seu recreio. Nesse escrito, realizei meus desejos assim: larguei os estudos, chutei classes, quebrei televisores, bebi muito e fiquei inconsciente. Foi trágico acordar sem ter alcançado o que realmente insufla minha ânsia de viver. Talvez porque estejas tão presente em mim que minha ressaca impediu de cruzar o Estado para teus braços.
Ato inconsciente.
Não paro de pensar nas coisas minhas. Resolvi indagar-me, então: para que toda essa possessão? Descobri que essas coisas em tempos de guerra são o contingente que refuta a vida. Não estamos em tempo de guerra. Talvez vivamos mais um período de acumulação compulsiva.
Ato falho.
Sempre que leio um livro penso em ti. Talvez minha mudez nesse mar de gente seja pela tua constante ausência que insisto em fazer real ao mesmo tempo em que nego. Como explicar atos tão burros? Igualando isso como o ato falho, só me permito chegar a uma conclusão: a contradição do ser humano é querer amar e sofrer, gozando interminantemente até que isso tudo cesse. Bruscamente. Morto.
Escrito por Johannes às 16h15
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O IDEAL DO POETA
A melhor poesia é aquela jamais escrita: Que vaga pela alma do poeta como uma folha De eucalipto que voa em um fim de tarde de outono...
O poeta tem para consigo um dia que nunca chega; Um amor que jamais é aquele, Ou um beijo que jamais existiu. O poeta canta as suas lágrimas E chora por suas alegrias: Elas jamais viram poesia!
Na alma do poeta há sempre um ideal: A próxima poesia... O próximo passo no escuro, O próximo salto no abismo.
O poeta tem sempre a sua teoria: Todas as suas angústias, Jamais as suas alegrias.
Ao som de "Martha My Dear" Dos Beatles
Escrito por Guilherme às 01h19
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GRITO DA ALMA
Quem
grita com a alma Entoa cantos aos deuses... Vê-se distante no
horizonte: Lugar perdido difícil de se estar.
Quem
se perde em si mesmo Busca almas que jamais são suas... Quer amar-se em um
outro, Quer olhos, quer beijos, Quer um corpo que jaz morto.
Um
brilho ao longe no horizonte... Quer voar e agarrar estrelas Mas elas
queimam as suas mãos, Elas ofuscam os seus olhos... Arrepende-se,
prefere-as distante.
Quem
grita com alma, Dança perdida e solitária pelas ruas... Contempla o mundo
em sua solidão profunda, Arrisca-se em uma ponte sobre um abismo: Passos
curtos... Medo... Muito medo.
Grita
consigo... Arrisca-se em sua inocência. És perversa... Quer morte, quer
vida. Quer ser criança... Quer colo... Quer companhia distante: a
Lua.
Seus
gritos rasgam a sua alma... És perversa; e por isso tão bela.
Porto
Alegre, 26 de Dezembro de 2005. Ao som de Mineral.
Escrito por Guilherme às 01h41
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DISTÂNCIA
Tenho poucos amores em muito
tempo,
Ideal de passado e sede de futuro,
Tenho sonhos escuros.
Tenho os olhos em fotos que
amo,
Lembranças de dias passados,
Tenho beijos fossilizados em meu coração,
Tenho um amor que sempre diz não.
Tenho mãos que queria cortar,
Por ter tocado coisas que quis agarrar.
Pra que serviram as minhas mãos então?
Deixe-me correr daqui de mim!
Tenho quilômetros de indecisões...
Deixe-me ir e viver o que nunca vivi...
Tão longe de mim, tão longe daqui.
(Today
- The Smashing Pumpkins)
Escrito por Guilherme às 02h17
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INVEJO AS ESTRELAS
Tão
forte em sua solidão:
Está lá, está ali e está aqui,
Triunfando sobre a escuridão.
Repouse em meus olhos,
Instigue os meus sonhos...
A escuridão já não é mais invencível,
E a solidão já não é tão horrível.
Uma estrela basta a si mesma,
Uma estrela basta a si mesma.
(Yer
Blues - Beatles)
Escrito por Guilherme às 00h30
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FOGO
DE PALHA
Prometi à mim mesmo
Que não viveria qualquer tipo
De aventura passageira,
Simplesmente por acreditar
Em algo lindo e duradouro.
Ah! Que problema!
De duradouro só a minha insegurança
E o medo de passar tudo
O que não deixo acontecer.
Ansiando pela vida,
Mas sem querer viver.
(Sexy
Sadie - Beatles)
Escrito por Guilherme às 16h55
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